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Fibroma Lingual


Gostamos muito do trabalho na área de lesões bucais, pois além do necessário conhecimento anatômico, devemos relacionar as possíveis causas da doença para então indicar o tratamento mais adequado, exigindo, além de técnica, pesquisa. Desta maneira, por mais uma vez iremos abordar esta lesão que faz parte do dia-a-dia do cirurgião-dentista.

O fibroma de lingua é o tumor oral benigno que pode ser considerado o mais comum, e o que mais aparece na clínica cirúrgica-odontológica. Por desconhecimento, normalmente pode assustar o paciente e até mesmo o profissional não preparado ou com pouca experiência em lesões de boca.

Trata-se de formação de tecido conjuntivo, extremamente fibroso, hiperplásico, podendo aparecer em qualquer ponto da mucosa oral, especialmente em partes móveis, como no interior da mucosa jugal (bochechas), lábios (geralmente o inferior), mas principalmente na língua. Isto se dá em razão de quase 100% dos casos a causa da lesão ser de origem traumática (próteses mal-adaptadas, restaurações ou dentes fraturados, mordidas acidentais), e a língua estar em íntimo contato com alterações deste tipo no interior da cavidade bucal. Geralmente o trauma acontece sem o paciente perceber, e o estímulo constante faz com que a lesão vá aumentando de tamanho.

No caso relatado à seguir, como quase sempre acontece, a paciente nos procurou com a queixa de lesão na ponta da língua, indolor, com aumento de volume progressivo e sem causa aparente. Por ser lesão indolor, geralmente existe uma demora para procurar o profissional, o que faz com que o aspecto piore.

Lesão hiperplásica, de coloração normal e indolor no ápice lingual

Procuramos por restauraçõesou próteses mal adaptadas e não as encontramos. Então, testando a mobilidade lingual, achamos como causa da lesão um hábito parafuncional da paciente, que jogava, inconscientemente, a ponta da língua entre os dentes, repetitivamente durante o dia.

Interposição do ápice lingual entre os espaços interdentários

O tratamento é simples: remoção cirúrgica conservadora e remoção da causa (no caso, mudança de comportamento para a eliminação do hábito). É interessante enviar a peça para exame histopatológico.


Remoção cirúrgica conservadora e biópsia

A lesão evolui bem e geralmente não há recorrência, a menos que a causa do traumatismo se perpetue.


Aspecto pós-operatório de 15 dias

É importante que se frise que a lesão é benigna. Pela nossa experiência, o medo de um diagnóstico maligno afasta o paciente de um exame mais apurado, perpetuando a doença. Somente o diagnóstico preciso pode tranquilizá-lo.


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