Atenção: todas as imagens de pacientes e/ou casos clínicos publicados neste blog, estão autorizados, verbalmente e por escrito, pelo próprio paciente, dentro das normas do código de ética médico e odontológico. Eventuais exibições de rostos dos pacientes também está autorizado e é do seu conhecimento.
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Exodontias Complicadas



🔴Grande parte das pessoas sabe que manter uma saúde bucal boa e fazer uma revisão a cada seis meses é fundamental. Embora muitos ainda tenham um certo medo de ir ao dentista, isso é fundamental para que casos mais simples se tornem mais graves com o passar do tempo levando à ter que passar por extrações complicados. Essas extrações acontecem por diversas causas como: 

🔹Dente fraturado (na coroa ou na raiz);
🔹 Dente do siso, incluso ou semi-incluso;
🔹Dentes com mobilidade acentuada (dentes a abanar);
🔹Dentes com necrose pulpar ou desvitalizado que não foi possível salvar através do tratamento endodôntico.

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Cisto Dentígero x Espessamento do Folículo (Capsula) Pericoronário

Segundo Regezi, o cisto dentígero é o segundo cisto mais comum entre os cistos de desenvolvimento dos maxilares, tendo sua expansão relacionada à proliferação epitelial, a liberação de fatores de reabsorção óssea e aumento na osmolaridade de fluidos. Por definição, um cisto dentígero está aderido à junção amelo-cementária de um dente não erupcionado -geralmente o siso - envolvendo sua coroa (imagem radiográfica abaixo).

Há uma predileção pelo sexo masculino na 2ª ou 3ª década de vida. Os sintomas realmente estão ausentes, a menos que hajam sintomas de pericoronarite (inflamação dos tecidos moles ao redor do dente do siso em erupção) ou que o cisto aumente de volume (podendo chegar a tamanhos significativos). É comum a descoberta deste cisto em tomadas radiográficas de rotina.

Possíveis complicações se não houver o tratamento incluem extensa destruição óssea pelo crescimento, reabsorção de raízes de dentes adjacentes, deslocamento de dentes, e muito raramente transformação neoplásica (ameloblastoma e carcinoma).

O tratamento é sempre cirúrgico, envolvendo a remoção completa do cisto com sua cápsula e dependendo do elemento dentário envolvido, também a sua extração.

Por outro lado, é comum, em dentes que ainda não erupcionaram, o espessamento do folículo pericoronário ("cápsula" fibrosa que envolve os dentes não irrompidos), sem no que no entanto signifique repercussões clínicas importantes. Para fins didáticos, considera-se cisto dentígero quando este espessamento é maior que 2,5mm, o que na prática não é importante, pois ambas patologias apresentam praticamente as mesmas caracteristicas histológicas.

O melhor, em nossa experiência com a especialidade, é remover o dente do siso ou qualquer elemento incluso sem possibilidade de erupção normal o quanto antes, evitando problemas graves futuros.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, sugerimos a leitura do artigo "Controvérsias na Ortodontia - O folículo Pericoronário

O caso da semana ilustra bem a linha tênue entre espessameno do folículo e cisto dentígero: paciente masculino, na 3ª década de vida, com quadro clássico de pericoronarite associada ao terceiro molar inferior esquerdo (38).

Observe a imagem radiolúcida com limites na junção amelo-cementária
Conseguimos a remoção do cisto por completo, aderido ao elemento extraído.

Elemento 38 extraído, com o cisto aderido

Complicações Graves Secundárias à Exodontias (extrações)

Sempre batemos aqui no blog na tecla de que odontologia, principalmente a área de cirurgia, é coisa séria. Esta semana foi divulgado nos meios de comunicação uma situação de óbito acontecido após extração dentária. 

Tanto a manchete como os desdobramentos levam a crer que óbito aconteceu EM FUNÇÃO da exodontia, o que não é verdade. Todo o procedimento cirúrgico dentro da cavidade oral pressupõe uma contaminação da ferida, justamente por ser um meio colonizado normalmente por várias cepas baceterianas. O que acontece muito frequentemente, é a falta e cuidados pré e pós-operatórios e medicação inadequada para cada caso em específico.

Por isso, pesquise o curriculo, experiência e referências do profissional que vai cuidar de sua saúde, se os exames pré-operatórios adequados como radiografias são solicitados e se a medicação a ser usada é adequada para o seu caso. Acontecimentos graves como esse são raros, mas podem acontecer

Abaixo a reprodução do caso:




Uma mulher, de 31 anos, morreu vítima de uma infecção, nesta quarta-feira (8), após ter extraído um dente, em uma clínica odontológica particular de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Jucilene de França era gerente de uma loja na cidade e deixou dois filhos, de 15 e 6 anos.

Os familiares denunciam que houve negligência por parte dos dentistas que fizeram o procedimento e atendimento.


A certidão de óbito aponta que a morte foi causada por choque séptico, Angina de Ludwig [se trata de uma doença infecciosa]e extração dentária. Segundo a cunhada da vítima, Tatiane Magalhães, a extração do siso ocorreu no sábado (4), no Centro Odontológico do Povo (COP).
No dia seguinte, a vítima teria começado a sentir fortes dores, inchaço e apresentou uma espécie de edema no pescoço. Jucilene voltou ao dentista e passou por um pronto-atendimento particular e um hospital antes de morrer. A família diz que ela estava bem de saúde e não tinha nenhuma doença.
Certidão de óbito aponta que a morte foi causada por choque séptico.
“Voltamos ao Centro Odontológico e lá disseram que era alergia da anestesia. Passaram um remédio, mas ela continuou sentido dor e muito inchaço. Fomos a um pronto-atendimento e o médico constatou que ela estava com uma inflamação e infecção. Ela tomou medicação novamente, mas mal conseguia abrir a boca”, relatou a cunhada.
O médico que atendeu Jucilene disse que precisava internar a paciente, devido ao estado de infecção que ela se encontrava. Porém, o plano de saúde que Jucilene tinha não cobria a internação solicitada. “Mandaram ela para a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Isso era 18 horas de quarta. Quando foi às 23 horas, ela faleceu. Os médicos nos disseram que ela estava com um edema muito grande e infecção generalizada. Tentaram reanimar, mas não conseguiram”, contou Tatiane.
Em nota enviada, o COP informou que a paciente passou por uma radiografia e extração simples, ‘transcorrendo tudo dentro da normalidade’. A clínica disse que Jucilene recebeu orientações sobre as condutas após a cirurgia e uma receita de medicamentos que deveriam ser tomados.
O COP confirmou que a paciente retornou ao local se queixando de um edema e, na ocasião, foi orientada a tomar uma medicação, alertada para retornar novamente, caso não melhorasse nas próximas 24 horas.
Jucilene ainda registrou em fotografia o pescoço inchado. (Foto: Arquivo pessoal)
Jucilene ainda registrou em fotografia o pescoço
Investigação
O Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT) disse que não recebeu nenhuma denúncia sobre o que ocorreu com Jucilene. Contudo, vai acompanhar o caso.
Segundo o presidente da Comissão de Ética do CRO-MT, Sandro Stefanini, existem riscos de infecção, mesmo que o profissional siga todas as normas do procedimento. Conforme Stefanini, o profissional é orientado a seguir normas antes da extração, como exames, raio-x e recolher dados da saúde do paciente.
“A extração [do siso]pode ter esse risco, afinal, a pessoa poderia não estar em condições de saúde. Até mesmo o profissional pode seguir os padrões e correr o mesmo risco. Nesse procedimento cirúrgico é aberto uma exposição com a corrente sanguina e existem bactérias de todos os tipos na cavidade bucal”, declarou o presidente.
A Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP) fez a liberação do corpo da vítima e deve encaminhar o caso para uma possível investigação, se necessário, na Delegacia de Polícia do Carumbé (Cisc Norte), em Cuiabá.





O corpo da gerente é velado na tarde desta quinta-feira (9) na Capela Santo Antônio, em Várzea Grande


No entanto, conforme a nota, Jucilene teria voltado ao COP somente na quarta-feira e teve que ser encaminhada para o pronto-atendimento e, em seguida, para a Santa Casa. A clínica se colocou à disposição da família para dar todo o tipo de assistência e informou que aguarda o resultado da necropsia. O G1 procurou a Santa Casa de Misericórdia que se comprometeu em encaminhar uma nota sobre o atendimento feito à paciente. Entretanto, até a publicação da reportagem não houve manifestação sobre o caso.


via: G1