Em alguns casos, porém, quando este material não está disponível, ou quando as imagens diagnósticas pré-operatórias não mostram a destruição do assoalho, temos de improvisar.
Na semana que passou nos deparamos com um caso do tipo. Ao realizarmos a incisão para corrigir o afundamento zigomático (maçã do rosto), nos deparamos com uma destruição não prevista de todo o assoalho da cavidade orbitária. Como não haviam telas de titânio disponíveis, improvisamos.
 |
| Afundamento do complexo zigomático-orbitário |
A tela de polipropileno, também conhecida como tela de marlex, é muito comum no reparo de hérnias inguinais. De custo extremamente baixo, está comumente disponível em qualquer hospital de médio porte. Podemos sobrepor camadas do material na reconstrução do assoalho. A desvantagem é que este tipo de material não possui a maleabilidade muitas vezes exigida para o reparo da anatomia curva da região.
 |
| TC axial mostrando o recontorno orbitário, placas e parafusos |
 |
| TC 3D mostrando a reconstrução |
Como no caso em questão, tínhamos a necessidade de evitar o herniamento dos tecidos moles do globo ocular para o interior da cavidade criada com a fratura, e não tinhamos uma necessidade importante de recriar a anatomia, optamos por usar o marlex.
 |
| Recorte e sutura de várias camadas de tela de marlex |
Com o passar das semanas, os tecidos em volta do material vão se entrelaçando e fibrosando, formando uma rede de proteção natural que recuperará a anatomia assim que o material da tela degrade naturalmente.
 |
| TC coronal pós-operatória mostrando a tela mantendo os tecidos oculares em posição |