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Marsupialização Cística II

Já escrevemos sobre a técnica de marsupialização cística AQUI.

Cabe lembrar que lança-se mão da técnica quando o tamanho do cisto odontogênico é tal, que sua remoção completa em um único tempo cirúrgico pode gerar más repercussões, pela presença de estruturas anatômicas importantes como inervação sensitiva.

Neste caso clínico, o paciente nos foi encaminhado em função de uma descoberta radiográfica de rotina de cisto odontogênica relacionada ao elemento dentário 35, assintomática mas possivelmente com longo tempo de evolução, pelas características da lesão.

Optou-se pela marsupialização, já que a curetagem da lesão poderia, entre outras possíveis repercussões, lesionar o nervo alveolar inferior ou fragilizar ainda mais a basilar cortical mandibular, com possibilidade de fratura.

O acompanhamento radiográfico em seu 3º mês, já mostra neoformação óssea dos bordos da lesão em direção ao centro, como é descrito na literatura.

Radiografias pré-operatória e com 3 meses de pós-operatório

Marsupialização Cística

Relativamente comum, o cisto de origem odontogênica é uma entidade reacional, de origem inflamatória, que invade os tecidos moles ou ósseos maxilares decorrentes de um envolvimento dentário.

Em algumas ocasiões já abordamos e descrevemos aqui no blog as causas e tratamentos de um cisto odontogênico.

Hoje vamos falar sobre uma técnica, que embora nem tanto usada, nos trás excelentes resultados. Em algumas situações, geralmente quando a lesão é silenciosa (ou seja, indolor), pode desenvolver-se e aumentar significativamente de tamanho a ponto de tornar quase impossível a sua total remoção, sob pena de fratura mandibular ou invasão de espaços anatômicos nobres durante a abordagem.

No caso a seguir, um paciente jovem consultou com um quadro bastante grave, de edema hemifacial importante, dor e dificuldade de abertura bucal, fonação e alimentação.

Descobrimos, pela radiografia, que existia um terceiro molar (siso) inferior no lado direito (à esquerda na radiografia), impactado no interior do osso, e que ao longo dos anos desenvolveu um cisto odontogênico de tal tamanho que praticamente destruiu metade da mandíbula.

RX panorâmico autorizado pelo paciente: observe a grande destruição no lado esquerdo da radiografia (direito do paciente), compatível com grande cisto odontogênico relacionado ao siso inferior direito

Como, neste caso, a remoção total do cisto era impraticável, optamos por realizar a técnica da marsupialização, que nada mais é do que abrir cirurgicamente o cisto, de maneira que haja uma descompressão da cavidade, teoricamente assim favorecendo a redução do seu tamanho para que num segundo momento se remova totalmente.

Realizado o procedimento, com a biopsia dando positivo para cisto inflamatório (benigno), aguardamos 8 meses para nova abordagem cirúrgica. O curioso neste caso, é que a técnica deu tão certo, que ao vizualizarmos a radiografia pós-operatória, nos deparamos com a total remissão da lesão. A cavidade cística foi preenchida com tecido ósseo, o paciente não mais apresentou sintomas e felizmente não deverá passar por segunda intervenção. Excelentes resultados. O próximo passo será a remoção do terceiro molar (siso), que foi a causa cística.

RX panorâmico autorizado pelo paciente: após 8 meses, remissão total da lesão, com neoformação óssea e inclusive modificação do posicionamento do siso, facilitando sua remoção